Hipertensão Resistente: O Que Fazer Quando os Remédios Não Funcionam?

Você toma os remédios corretamente, mas sua pressão continua alta? Isso pode ser hipertensão resistente.

A hipertensão arterial atinge milhões de brasileiros, mas em muitos casos ela não responde aos tratamentos tradicionais — mesmo com o uso de medicamentos. Esse quadro é chamado de hipertensão resistente e exige uma abordagem diferente, mais profunda e multidisciplinar.

Se você ou alguém da sua família já usa três ou mais medicamentos para controlar a pressão e ainda assim ela continua elevada, é fundamental entender o que está por trás disso, quais são os riscos e quais atitudes tomar para proteger sua saúde.


O que é a hipertensão resistente?

A hipertensão resistente é diagnosticada quando o paciente apresenta pressão arterial acima de 140/90 mmHg mesmo após:

  • Usar três classes diferentes de anti-hipertensivos (um deles obrigatoriamente sendo um diurético),
  • E seguir as orientações médicas corretamente em relação a uso de medicamentos, alimentação e estilo de vida.

Também entra nesse diagnóstico quem só consegue manter a pressão controlada usando quatro ou mais medicamentos diferentes.

Esse quadro não é raro e pode atingir até 20% dos pacientes hipertensos.


Por que a pressão continua alta, mesmo com remédios?

Existem diversas causas possíveis. Veja as principais:

1. Uso inadequado da medicação

  • Tomar os remédios em horários irregulares
  • Esquecer doses
  • Interromper o tratamento por conta própria

2. Diagnóstico incorreto

  • Pressão alta “de jaleco branco” (apenas em consultas)
  • Má aferição da pressão

3. Causas secundárias de hipertensão

  • Doença renal crônica
  • Apneia do sono
  • Distúrbios hormonais (como feocromocitoma ou hiperaldosteronismo)
  • Uso excessivo de sal, álcool ou certos medicamentos (como corticoides e anti-inflamatórios)

4. Estilo de vida descompensado

  • Sedentarismo
  • Alimentação rica em sódio e gordura
  • Estresse crônico e falta de sono

Como saber se você tem hipertensão resistente?

Os principais sinais de alerta são:

  • Pressão sempre alta, mesmo com os medicamentos em dia
  • Inchaço nas pernas, cansaço, dores de cabeça persistentes
  • Sintomas noturnos, como ronco, pausas na respiração (apneia), ou insônia
  • Consultas frequentes ao pronto-socorro por picos de pressão

Nesses casos, o médico pode solicitar exames como:

  • Mapa 24h (Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial)
  • Exames renais e hormonais
  • Polissonografia (para investigar apneia do sono)
  • Eletrocardiograma e ecocardiograma

O que fazer se a hipertensão for resistente?

1. Reavaliar o diagnóstico com um especialista

Busque um cardiologista ou nefrologista para aprofundar a investigação. Em alguns casos, será necessário um endocrinologista.

2. Tratar causas secundárias

Se a hipertensão estiver sendo causada por outro problema (como apneia do sono, doença renal ou distúrbio hormonal), é fundamental tratar a causa primária, além da pressão em si.

3. Ajustar o tratamento medicamentoso

O médico pode:

  • Ajustar as doses
  • Mudar o tipo de medicação
  • Introduzir associações específicas que atuem de forma sinérgica
  • Em casos extremos, considerar procedimentos como ablação dos nervos renais (em estudo)

4. Mudar radicalmente o estilo de vida

Mesmo em pacientes com hipertensão resistente, mudanças de hábitos podem ter grande impacto. Veja o que pode ajudar:

✔️ Redução do sal

Menos de 2g por dia (cerca de 1 colher rasa de café)

✔️ Dieta DASH

Rica em vegetais, frutas, grãos integrais e laticínios magros

✔️ Prática regular de atividade física

Caminhadas de 30 minutos, 5x por semana, já fazem diferença

✔️ Controle do estresse

Com técnicas como mindfulness, ioga, meditação e terapia

✔️ Sono de qualidade

Dormir ao menos 7h por noite, em ambiente escuro e silencioso


Hipertensão resistente tem cura?

Não há uma cura definitiva, mas com controle adequado e acompanhamento multidisciplinar, é possível:

  • Normalizar a pressão
  • Reduzir o número de medicamentos
  • Diminuir drasticamente o risco de complicações graves, como AVC, infarto e insuficiência renal

Conclusão: Conhecimento e ação são os melhores remédios

A hipertensão resistente não é sentença, mas um alerta importante do corpo. Com apoio médico, exames corretos e mudanças profundas no estilo de vida, é possível controlar a pressão e viver com mais tranquilidade e saúde.

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